Verônica - História

Antes de criar doces reconhecidos nacionalmente, precisei amadurecer cedo, aprendi a lidar com desafios e a construir meus próprios caminhos.

Cresci em uma infância simples, marcada por muitas mudanças. Desde pequena, o trabalho fez parte da minha realidade. Enquanto minha mãe trabalhava fazendo faxinas para sustentar nossa família, eu ajudava como podia. Ainda criança, trabalhei como babá, depois passei vender livros e legumes na feira livre. Ali, aprendi me comunicar com as pessoas, a conquistar clientes e a entender o valor do trabalho feito com amor e dedicação.

O contato com a confeitaria veio cedo. Sempre gostei de bolo e, quando minha mãe conseguia fazer alguns para complementar a renda, eu ajudava a vender. Mais tarde, já adolescente, fiz meus primeiros bolos sozinha. Eram receitas simples, feitas com poucos recursos, muitas vezes sem forno em casa. Eu usava a cozinha de vizinhos, improvisava, observava e repetia.

A criatividade sempre foi minha principal ferramenta.

Durante muitos anos, a confeitaria esteve presente na minha vida como algo que eu amava, mas que ainda não era minha principal fonte de renda. Trabalhei em outras áreas, tive diferentes experiências profissionais e nunca deixei de aprender. Sempre estudei, me formei em Nutrição e fiz vários cursos na área, testei receitas e aprimorei técnicas, mesmo quando esse esforço acontecia longe dos holofotes.

Foi durante a pandemia que a confeitaria ganhou um novo significado na minha vida. Em um período de incertezas, encontrei nos doces uma forma de seguir em frente, gerar renda e levar carinho e conforto às pessoas em suas residências. Comecei com o que tinha, atendendo encomendas, divulgando meu trabalho e colocando minha história em cada criação. A pandemia marcou o momento em que a confeitaria deixou de ser apenas um sonho e passou a ocupar um lugar central na minha trajetória profissional.

Minha participação no programa Que Seja Doce do GNT, foi um divisor de águas. Em um ambiente desafiador e de alta exigência técnica, pude mostrar minha identidade, meu repertório e minha forma de trabalhar. Conquistar o título de campeã do programa de forma invicta foi o reconhecimento de uma caminhada construída com constância e verdade.

Após o programa, vivi algo muito especial: o carinho do público. Pessoas vieram me dizer que torceram por mim, que se emocionaram com a minha história e que se sentiram representadas. Esse retorno reforçou ainda mais o sentido do meu trabalho.

Hoje, à frente da minha confeitaria, traduzo minha trajetória em cada doce que faço. Meu trabalho carrega cuidado, técnica, memória e intenção. Cada criação contém minha essência e muita memória afetiva.